ARTIGOS

Criar uma guerra para tornar-se general

por Tales Ab’Sáber

A política de Bolsonaro é simples. Enquanto destrói o país e mata o maior número possível de brasileiros, distribui prebendas e privilégios diretos para seus grupos fascistas apaixonados, milícias, polícias, milicos e imbecis que se alimentam de armas. 4 mil balas para cada um, número que pode significar uma guerra. 4 mil balas que podem sair com Bolsonaro nas ruas.

Todos estes darão qualquer golpe por ele. O golpe cujo sentido será manter à bala as próprias conquistas sob o inferno humano que eles próprios podem continuar criando, até liquidar totalmente o país.

É uma política que dispensa toda ideia de democracia, em qualquer sentido que se possa entender a palavra, institucional ou social, o que é muito coerente com o que ele sempre disse a respeito da coisa. No Chile em 1973 os genocidas que destruíram a democracia – modelo amado declarado do capitão e seu ministro da incompetência econômica -, durante meses puseram o exército para desarmar totalmente a população, até a tomada do poder pelo monstro de Pinochet e seu exército, peças chave para polícia política de extermínio. Hoje, no Brasil, está acontecendo o contrário:

Desde 2019, Bolsonaro carrega os pentes de seus exércitos populares, que se tornarão milícias armadas fascistas ali na frente, logo ali na frente. Ele já declarou que a eleição que o elegeu foi fraudada, desqualificando a legitimidade de uma derrota futura. Esse é o poder que burgueses, médicos de direita, incendiários da floresta, espancadores de jovens negros, farialimers, evangélicos fundamanentalistas, morolistas, e outros ricos, fascistas e débeis mentais entregaram a ele.

Sua política é a de chamar para uma polícia popular devotos irracionais. É a lógica discricionária de agregação das massas e de compra do poder armado comum a todo ditador, sustentada com o aparelho estatal. Bolsonaro quer transformar o Brasil em uma guerra para que ele possa ser o general que nunca conseguiu ser. O genocida de hoje, é o último ditador da ditadura de 1964.

Ainda assim, 70% dos empresários do país não querem seu impedimento. Preferem um miliciano degradado disposto a tudo pelo dinheiro do que a vida. Essa guerra que vem sendo gestada é, portanto, uma guerra de classe, dos de cima contra tudo. O fascismo sempre esteve aliado ao capital.

TALES AB`SÁBER é psicanalista, escritor, professor, doutor em psicanálise (USP) e membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

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1 resposta »

  1. Adorei seus textos.
    Muito necessário.

    Entender e enfrentar esse genocida de forma inteligente é muito difícil. E seus textos ajudam muito a ter uma abordagem mais inteligente e menos fígado.
    Obrigada!

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