ARTIGOS

Σ[i] Repetições do capitalismo

por Luis Eduardo Cani

Capitalismo, de Dona Timani

Escreverei este texto em primeira pessoa do singular, apesar de conhecer a constatação freudiana da terceira ferida narcísica[ii]. Não aposto em um Eu racional cartesiano, mas em um eu, sujeito das frases, sem o qual talvez não exista língua alguma – pelo menos, desconheço uma língua sem sujeitos, mas não desconsidero minha falibilidade. Enfim, um eu que sabe que age mais por pulsões inconscientes do que em conformidade com planos elaborados no consciente. Dito de outro modo, um eu que, apesar de saber que não pode saber, quer muito saber, e que, apesar de saber que “o ego não é o senhor da sua própria casa[iii], sabe que tem algum grau de consciência.

Há algum tempo repito – acho que compulsivamente – escritos sobre neoliberalismo, um tema com o qual tive contato ainda na graduação, mas que entendi apenas durante o mestrado. A partir de fevereiro de 2017, comecei a perceber a genial estratégia neoliberal de captura da vida: corpos e mentes são cooptados por uma verdadeira “razão de mundo”, isto é, tanto um motivo quanto uma forma de raciocinar, calcular e limitar as condutas[iv]. Não é apenas uma forma de organização do capitalismo, mas a organização mais engenhosa que a humanidade já conheceu, pois permite nosso “governo através da liberdade”[v]. Essa nova razão resultou em uma nova organização do sistema econômico capitalista, menos repressiva, mas muito mais violenta.

O capitalismo se repete desde a origem: destrói, constrói, produz subjetividades e se reproduz. Estamos, quase todos, fartos destas repetições. Ao ciclo repetido exaustivamente são acopladas novas técnicas, novas estratégias, novos aparelhos, mas as etapas permanecem as mesmas: exploração da mão de obra barata de metade ou mais da metade da população, acumulação da riqueza produzida por meio da exploração, distribuição aos trabalhadores de uma parcela ínfima da riqueza produzida, esgotamento de um modelo de acumulação, necessidade de uma ruptura abrupta com o modelo em curso (crise) e criação de um novo modelo que possibilite a 1% da população acumular ainda mais riquezas para desfrutar de privilégios e commodities de todas as ordens. Só não se incomoda com essa repetição quem se beneficia: uma minoria, cujos privilégios são protegidos por meio do direito liberal.

Sigmund Freud publicou, em 1914, o texto Recordar, repetir e elaborar. (Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise II)[vi]. Nesse artigo, Freud analisou o fenômeno da compulsão de repetir, que substitui o impulso à recordação. Advertiu que quanto maior a resistência a recordar, maior a atuação para repetir[vii]. A resistência determina o que será repetido e o analista precisa retirar as armas do arsenal de resistência, uma a uma. Então é necessário, no tratamento analítico, fazer repetir para desarmar as resistências e possibilitar a recordação. O principal meio para isso é a transferência, que permite criar uma zona de transição entre a vida e a doença na qual o analista pode atuar. Após a superação das resistências, que precisam ser identificadas durante a análise, as recordações aparecem. Somente aí se torna possível elaborar: do alemão durcharbeiten, ou seja, “através de” (durch) + “trabalhar” (arbeiten).

Contudo, das repetições do capitalismo não exsurgem elaborações no sentido proposto por Freud, pois o ciclo não é rompido para que o velho renasça com nova máscara, nova veste[viii]. A repetição é assegurada por meio da criação de novos mecanismos de defesa. Uma boa metáfora me parece ser a troca de pele de uma cobra. Ao mesmo tempo em que o velho fica para trás (pele anterior), o novo (pele nova) não é mais do que a continuação do que sempre existiu (uma cobra com pele). Muda, mas muda para que tudo continue como sempre foi[ix]. Assim também ocorre com o capitalismo. Nova roupa, novos ares, variáveis no tempo e espaço, com peculiaridades que o tornam distinto em cada local e em cada momento, mas continua a ser capitalismo.

O capitalismo neoliberal, por exemplo, assumiu essa feição ao substituir a lógica de um governo por causa do mercado por um governo para o mercado[x]. A liberdade deixou de ser condição de possibilidade para a existência de um mercado em que, supostamente, teríamos acesso a um “preço justo” para se tornar a moeda de troca do capitalismo. O neoliberalismo é, nesse sentido, um “governo através da liberdade”[xi]. A concorrência entre indivíduos foi alçada à condição de “razão do mundo”[xii]. Competimos entre nós, não porque fomos constrangidos violentamente a fazê-lo, mas porque fomos convencidos de que podemos atingir qualquer meta, desde que nos esforcemos o suficiente – a isso chamam meritocracia. Com esse discurso fraudulento, somos persuadidos de que concorremos em condições iguais – aqui vale a metáfora da competição de escalada da árvore, da qual participam um pássaro, um macaco, um pinguim, um elefante, um peixe, uma foca e um cachorro[xiii].

Dito de outro modo, o neoliberalismo joga um pesado jogo psíquico para nos governar através dos desejos, criando uma subjetividade, para depois explorar a forma de vida decorrente dessa subjetividade. As faltas que sentimos são produzidas, assim também somos cooptados por discursos, segundo os quais nos faltam objetos materiais inúteis[xiv]. A subjetividade é corolário do bombardeio diuturno com informações, mormente com propagandas sobre como devemos nos comportar, vestir, amar, pensar, crer, trabalhar, transar etc. Eis aquilo que Byung-Chul Han chamou de psicopolítica, uma política que incide sobre a psique para produzir uma subjetividade que é pressuposta para a entrada no jogo da concorrência neoliberal[xv].

A pandemia do coronavírus nos serve de luz para enxergar às utopias da modernidade. Não é preciso saber muito para perceber que muitos dos pressupostos modernos são engodos, mas parecíamos ter o olhar embaçado pela cortina de fumaça chamada ganância. Diante de uma realidade cruel e difícil de aceitar, os modernos elaboraram princípios, teorias e pressupostos eufemísticos – ou “secularizaram”[xvi] aspectos teológicos. As medidas restritivas da circulação desaceleraram as relações de produção e consumo, bem como puderam culminar na falência de empresas, cidades, regiões, setores econômicos e, inclusive de países. As medidas restritivas podem ser percebidas de dois grandes modos, com múltiplos arranjos na organização: as que possibilitam uma reorganização social, política, econômica e jurídica; ou as que tendem a conservar as relações como sempre foram (como medidas que conduzem a um estado de exceção permanente[xvii]).

Não parece que o capitalismo neoliberal poderá subsistir à pandemia, mas também não afigura que o capitalismo deixará de existir. Assim como é certo o fato de que a pandemia abre a possibilidade de mudança, também é verdadeiro que a conservação do capitalismo pressupõe rupturas abruptas para reorganizar o sistema de acumulação de riquezas. Portanto, penso que estamos diante do início de um novo ciclo, de uma nova preparação para a repetição do movimento conservador de destruição do que está ao redor do capitalismo para preservar o que está no interior do eixo de rotação.

Penso também que podemos aproveitar o tédio decorrente desses movimentos de repetição para elaborar – e precisamos fazê-lo! Isso porque há no tédio, como Byung-Chul Han notou, um potencial criativo. Nos atos de repetição – apesar de, em geral, não pararmos para reparar nas tarefas repetitivas – está o gérmen do nascimento do novo. Um olhar atento, algum grau de tédio e um pouco de criatividade podem permitir a elaboração de algo, a passagem através da repetição para produzir algo novo. Interessa-me, no texto de Han, o movimento que marca a passagem da caminhada para a dança – esse improviso que possibilitou algo novo a partir do tédio e da repetição[xviii].

Precisamos inventar um movimento que nos permita passar da caminhada para a dança; do capitalismo para algo melhor – do capitalismo para algo menos pior! Mas, antes, precisamos recordar o que é o capitalismo. As defesas estão desarmadas graças à pandemia, embora algumas resistências (como as organizações de manifestações pró-contaminação) insistam em brotar dos locais de sempre.

LUIS EDUARDO CANI, vulgo “Diabo loiro”, é doutorando em Ciências Criminais (PUCRS), bolsista da CAPES, professor e advogado


[i] O sigma é uma das letras do alfabeto grego, utilizada em fórmulas matemáticas para designar somas, progressões aritméticas etc. Inclui-a no início do título para indicar que a repetição nunca é um ato isolado – ocorre progressivamente. Sobre: DUNKER, Christian. O que é “recordar, repetir e elaborar”? Falando nIsso, 199. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fdEPLdqwwdo>.

[ii] Sobre: FREUD, Sigmund. Uma dificuldade no caminho da psicanálise. In: ______. Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. XVII. Rio de Janeiro: Imago, 1976, p. 171-179. Sobre algumas implicações da terceira ferida narcísica no Direito: MARQUES NETO, Agostinho Ramalho. Sujeitos coletivos de direito: pode-se considera-los a partir de uma referência à psicanálise? In: CARVALHO, Amilton Bueno de. (Org.). Revista de Direito Alternativo. São Paulo: Editora Acadêmica, 1994, v. 3.

[iii] FREUD, Sigmund. Uma dificuldade no caminho da psicanálise, p. 178: “É assim que a psicanálise tem procurado educar o ego. Essas duas descobertas – a de que a vida dos nossos instintos sexuais não pode ser inteiramente domada, e a de que os processos mentais são, em si, inconscientes, e só atingem o ego e se submetem ao seu controle por meio de percepções incompletas e de pouca confiança –, essas duas descobertas equivalem, contudo, à afirmação de que o ego não é o senhor da sua própria casa”.

[iv] DARDOT, Pierre; LAVAL, Christhian. A nova razão do mundo. Ensaio sobre a sociedade neoliberal. Trad. Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo. 2016.

[v] Sobre: LAZZARATO, Maurizio. O governo das desigualdades: crítica da insegurança neoliberal. Trad. Renato Abramowicz Santos. São Carlos: EdUFSCar, 2011.

[vi] FREUD, Sigmund. Recordar, repetir e elaborar (1914) novas recomendações sobre a técnica da psicanálise II. In: Obras completas volume 10. Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“O caso Schreber”), artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913). Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 146-158.

[vii] “o analisando repete em vez de lembrar, repete sob as condições da resistência; agora podemos perguntar: o que repete ou atua ele de fato? A resposta será que ele repete tudo o que, das fontes do reprimido, já se impôs em seu ser manifesto: suas inibições e atitudes inviáveis, seus traços patológicos de caráter. Ele também repete todos os seus sintomas durante o tratamento. E agora podemos ver que ao destacar a compulsão de repetição não adquirimos um novo fato, mas uma concepção mais unificada. Para nós se torna claro que a condição doente do analisando não pode cessar com o início da análise, que devemos tratar sua doença não como assunto histórico, mas como um poder atual. Essa condição doente é movida pouco a pouco para o horizonte e o raio de ação da terapia, e, enquanto o doente a vivencia como algo real e atual, devemos exercer sobre ela o nosso trabalho terapêutico, que em boa parte consiste na recondução ao passado.” FREUD, Sigmund. Recordar, repetir e elaborar (1914) novas recomendações sobre a técnica da psicanálise II, p. 151.

[viii] Temática trabalhada no poema Parada do velho novo: “Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando, mas ele vinha como se fosse o Novo.

Ele se arrastava em novas muletas, que ninguém antes havia visto, e exalava novos odores de putrefação, que ninguém antes havia cheirado.

A pedra passou rolando como a mais nova invenção, e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as novas composições.

Em toda parte viam-se túmulos abertos vazios, enquanto o Novo movia-se em direção à capital.

E em torno estavam aqueles que instilavam horror e gritavam: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! E quem escutava ouvia apenas os seus gritos, mas quem olhava, via pessoas que não gritavam.

Assim marchou o Velho, travestido de Novo, mas em cortejo triunfal levava consigo o Novo e o exibia como Velho.

O Novo ia preso em ferros e coberto de trapos; estes permitiam ver o vigor de seus membros.

E o cortejo movia-se na noite, mas o que viram como a luz da aurora era a luz de fogos no céu. E o grito: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! seria ainda audível, não tivesse o trovão das armas sobrepujado tudo.” BRECHT, Bertold. Poemas 1913-1956. São Paulo: 34, 2006, p. 217.

[ix] A importância das mudanças de fachada para a conservação de tudo está sintetizada numa curta frase da personagem Tancredi: “— Se nós não estivermos lá, eles fazem uma república. Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude. Expliquei-me bem?” LAMPEDUSA, Giuseppe Tomasi di. O leopardo. São Paulo: Abril Cultura, 1979, p. 40.

[x] FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica. Curso dado no Collège de France (1978-1979). Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008, p. 159-165.

[xi] “A novidade do neoliberalismo enquanto atividade de ‘governo’ das condutas (não confundir com a instituição estatal) é que ela não se define nem contra nem a despeito da liberdade, mas através da liberdade de cada um, no sentido de que se conformem por si mesmos a certas normas. Sem precisar forçar a mão, não é muito difícil reconhecer neste arcabouço os traços contemporâneos de uma livre submissão defensiva, quer dizer, a pista por onde escorrerá toda a sujeira do trabalho.” ARANTES, Paulo Eduardo. Sale boulot: uma janela sobre o mais colossal trabalho sujo da história. Uma visão no laboratório francês de sofrimento social. Tempo social, revista de sociologia da USP, v. 23, n. 1, pp. 31-66, 2011, p. 38.

[xii] DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. Trad. Mariana Echalar. São Paulo: Editora Boitempo, 2016.

[xiii] https://acervo.avozdaserra.com.br/sites/default/files/colunas/09_09_2014_07_45_57_f1.jpg

[xiv] Uma abordagem interessante sobre a falta está em A parte que falta, livro de Shel Silverstein. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=GFuNTV-hi9M

[xv] HAN, Byung-Chul. Psicopolítica. O neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Trad. Maurício Liesen. São Paulo: Âyiné, 2018.

[xvi] A secularização é equivalente a varrer a sujeira para baixo do tapete. Escondemos a origem teológica, mas continuamos a cultuar os deuses, agora encobertos. Assim foi que o deus único dos cristãos pôde ser convertido em dinheiro, objeto de culto nas relações de crédito-débito do capitalismo neoliberal. Sobre: SALVÀ, Peppe. “Deus não morreu. Ele tornou-se dinheiro”. Entrevista com Giorgio Agamben. Trad. Selvino José Assmann. Blog da Boitempo, São Paulo, 31 ago. 2012. Disponível em: <https://blogdaboitempo.com.br/2012/08/31/deus-nao-morreu-ele-tornou-se-dinheiro-entrevista-com-giorgio-agamben/>.

[xvii]Innanzitutto si manifesta ancora una volta la tendenza crescente a usare lo stato di eccezione come paradigma normale di governo. Il decreto-legge subito approvato dal governo «per ragioni di igiene e di sicurezza pubblica» si risolve infatti in una vera e propria militarizzazione «dei comuni e delle aree nei quali risulta positiva almeno una persona per la quale non si conosce la fonte di trasmissione o comunque nei quali vi è un caso non riconducibile ad una persona proveniente da un’area già interessata dal contagio di virus». Una formula così vaga e indeterminata permetterà di estendere rapidamente lo stato di eccezione in tutte le regioni, poiché è quasi impossibile che degli altri casi non si si verifichino altrove.” AGAMBEN, Giorgio. L’invenzione di un’epidemia. Quodlibet, Roma, 26 fev. 2020. Disponível em: <https://www.quodlibet.it/giorgio-agamben-l-invenzione-di-un-epidemia>. “Una delle conseguenze più disumane del panico che si cerca con ogni mezzo di diffondere in Italia in occasione della cosiddetta epidemia del corona virus è nella stessa idea di contagio, che è alla base delle eccezionali misure di emergenza adottate dal governo. […] Ancora più tristi delle limitazioni delle libertà implicite nelle disposizioni è, a mio avviso, la degenerazione dei rapporti fra gli uomini che esse possono produrre. L’altro uomo, chiunque egli sia, anche una persona cara, non dev’essere né avvicinato né toccato e occorre anzi mettere fra noi e lui una distanza che secondo alcuni è di un metro, ma secondo gli ultimi suggerimenti dei cosiddetti esperti dovrebbe essere di 4,5 metri (interessanti quei cinquanta centimetri!). Il nostro prossimo è stato abolito.” AGAMBEN, Giorgio. Contagio. Quodlibet, Roma, 11 mar. 2020. Disponível em: <https://www.quodlibet.it/giorgio-agamben-contagio>.

[xviii] “Quem se entedia no andar e não tolera estar entediado, ficará andando a esmo inquieto, irá se debater ou se afundará nesta ou naquela atividade. Mas quem é tolerante com o tédio, depois de um tempo irá reconhecer que possivelmente é o próprio andar que o entedia. Assim, ele será impulsionado a procurar um movimento totalmente novo. O correr ou o cavalgar não é um modo de andar novo. É um andar acelerado. A dança, por exemplo, ou balançar-se, representa um movimento totalmente distinto. Só o homem pode dançar. Possivelmente no andar é tomado por um profundo tédio, de tal modo que por essa crise o tédio transponha o passo do correr para o passo da dança. Comparada com o andar linear, reto, a dança, com seus movimentos relutantes, é um luxo que foge totalmente do princípio do desempenho.” HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Trad. Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2015, p. 35.

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