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Vazio de domingo

por Taimara Foresti

Com certeza você já sentiu, pelo menos uma vez (ou todas as semanas), o vazio de domingo. Todo vazio traz uma mensagem, dessas bem carregadas de sentido que se joga na nossa cara. Geralmente, quer dizer para você prestar atenção em seu interior, no que sente. O domingo nos obriga a pensar. Você que não faz psicoterapia e se esquiva de cuidar de si, vai ser obrigado a sentir o peso do pensar mais fortemente aos domingos.

A psicoterapia é o lugar de encontro íntimo entre você e seus sentimentos. A estranheza acontece porque nós não estamos acostumados a se confrontar com a gente mesmo. Afinal, você não se conhece tanto quanto diz ou gostaria. E, diferente dos domingos, a psicoterapia é um momento que te propicia um conhecimento organizado de si.

O filme “La enfermedad del domingo” do diretor Ramóm Salazar, traduzido como “O vazio do domingo”, nos conta sobre conexão emocional. Os personagens são (basicamente): mãe e filha. Quando falamos em conexão emocional, principalmente entre “mães e filhos”, somos quase que automaticamente direcionados a algo determinista: nasce o bebê, nasce o amor. Porém, elos ou conexões emocionais são construídos. Em toda e qualquer relação. O amor é construção.

O surgimento dos sentimentos de pertença e amor (?) só será possível através da constante vivência de tudo o que envolve uma relação. Consanguínea ou não. O determinismo biológico já atrapalha demais as coisas. Não caia na cilada de acreditar que tudo está posto. O filme retrata com beleza e poesia a crua realidade sobre uma relação. No caso, entre mãe e filha. Retrata uma história de abandono e as reconexões frágeis entre duas pessoas que compartilham um passado, presente e futuro ausentes. Fala sobre decisões. A sempre, árdua e difícil tarefa de decidir e aguentar os baques das consequências que chegam a sua porta, invadindo. Decisões e domingos. Algumas cenas causam constrangimento, porque se propõem a despir bem em frente aos nossos olhos, como os seres humanos podem ser vazios, como são os domingos.

Durante o filme, pode surgir automaticamente um pensamento, que em geral, quando usado em demais contextos pode ser bem perigoso, no sentindo de privações e pré-julgamentos: o pensamento Cartesiano (ler sobre Dualismo Cartesiano – René Descartes 1596 –1650): “bom ou ruim” e ficamos tentando decifrar que tipo de pessoa é essa mãe? Ela é boa ou ruim? Por favor, fujam desse pensamento. Em qualquer momento de suas vidas, saiam dessa caverna! Precisamos superar essa visão de mundo dicotômica (o quanto antes). Aprendemos a pensar.  Apreciem a beleza do erro, do humano e do recontro, que por mais tardio que for, se saudável, haverá de valer alguma coisa. Em todos os casos, vale começar a fazer psicoterapia.

TAIMARA FORESTI é psicóloga e mestre em psicologia pela IMED/RS

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