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Sobre as manifestações de domingo

Por Mauro Gaglietti

Sig, O Rato, prestou atenção nas manifestações durante o domingo (30.Jun.0219). Notou que a maior expressão – presentes nas ruas e praças pelo País afora – ficou por conta dos apoiadores do ministro Sérgio Moro e da operação Lava Jato. Nos protestos, também foram observadas menções de apoio à reforma da Previdência e ao pacote anticrime, proposto pelo ministro da Justiça. A Manifestação foi relevante para os setores do Brasil que defendem a Democracia na medida em que as três palavras de ordem puderam contar com o respaldo da maioria nas eleições presidenciais mais recentes. A atenção, também, precisa recair na direção de algumas contradições que precisam ser melhor examinadas. No caso, 26 estados ao se manifestarem no domingo, levantaram bem alto a bandeira da luta republicana contra a corrupção. Dinheiro público é do público, não das oligarquias que ao ocuparem os cargos das estatais, com finalidades privadas, sustentaram financeiramente os seus líderes e engrossaram as campanhas eleitorais dos respectivos partidos (11 diferentes partidos políticos estão sendo investigados pela Lava Jato). Em 2013 houve manifestações espontâneas e até o momento a cúpula dos maiores partidos políticos ainda não entendeu o clamor da parcela mais bem informada no Brasil. Se o ensino contasse com uma melhor qualidade, teríamos, em 2013, ao que tudo indica, mais gente nas ruas defendendo uma melhor gestão dos recursos públicos. A manifestação, diferentemente da anterior, foi pautada de forma clara na defesa da Lava Jato, da Reforma da Previdência e do Pacote Anticrime. Foi uma manifestação necessária para garantir o respeito ao resultado das urnas. Obseva-se que um dos maiores perigos para a Democracia é a não aceitação e a falta de respeito e de reconhecimento da vontade maior dos eleitores. No caso, o autoritarismo se revela nas concepções e práticas segundo as quais quer-se transformar tudo em um “terceiro turno”, sem respeito às urnas. Nesse caso, quem age assim, volta-se exclusivamente à busca do poder pelo poder, sem pautar-se pelas necessidades emergentes da nação brasileira. Você pode até discordar, mas precisar aceitar a regra do jogo. Quem venceu, venceu!! Nesse caso, Sig, O Rato, sugere: aceite que dói menos! Como em todas as manifestações, há setores minoritários defendendo bandeiras antidemocráticas, como por exemplo, o fechamento do Congresso Nacional e do STF (outros – que não estavam nas manifestações de domingo – defendem a libertação dos 159 presos pela Operação Lava Jato e que ocorra a devolução dos recursos – que já haviam retornado aos cofres públicos – os acusados por corrupção. Tais manifestações têm origem na confusão mental entre, no meu ponto de vista, a prática desviante de alguns integrantes do Senado, Câmara dos Deputados, STF e o papel constitucional  desses órgãos do Estado Democrático de Direito. Claro está que dos 38 partidos existentes, 11 partidos estão sendo investigados na Lava Jato, e, antes, já estiveram associados ao “mensalão”. Observa-se, além disso, que alguns integrantes do STF advogam para o enfraquecimento da luta pelo alcance das medidas anticorrupção. Será preciso, então, melhorar a qualidade (jurídica e ética) dos integrantes do STF para que a instituição possa se transformar – no cotidiano de suas decisões – na principal instância defensora da Constituição e não somente defensora de alguns grupos políticos, parentes, amigos do Rei etc. etc. Além disso, constata-se, uma contradição entre os manifestantes ao criticarem severamente Rodrigo Maia, o Presidente da Câmara dos Deputados – um dos principais agentes para a aprovação da Reforma da Previdência no Congresso Nacional. Jogar o povo contra o Congresso (Câmara e Senado) é uma atitude antidemocrática, Sr. Presidente! Sem o envolvimento do Congresso não será possível fazer a Reforma da Previdência justa para todos os brasileiros, nem mesmo a Reforma Tributária com menos Brasília e mais Brasil (o dinheiro precisará ficar em maior volume nos municípios), e muito menos a construção de um novo pacto federativo, fortalecendo os estados da Federação. Creio – por conta do impacto político relativamente neutro das manifestações – que o Congresso vai seguir tratando das reformas como parte de sua agenda normal. Percebe-se, ao mesmo tempo, ainda que as manifestações tenham a firme participação da mesma parcela de classe média brasileira, que está mobilizada desde 2013, não irá, pelo visto, assustar e nem intimidar os parlamentares. A Reforma da Previdência e as demais passarão, necessariamente, pelo Congresso mediadas e filtradas pelas diferentes concepções dos parlamentares. Sérgio Moro, por sua vez, sai fortalecido para comparecer à Câmara para dialogar com os deputados federais acerca dos seus procedimentos à frente da Lava Jato à época que era Juiz em Curitiba. O sr. Presidente da República, por seu turno, terá que entender o funcionamento do presidencialismo de coalizão (ninguém governou até agora sem negociar com os partidos políticos para obter a maioria. Antes “negociar” era sinônimo do toma lá da cá, corrupção na veia, transformando o presidencialismo de coalizão em presidencialismo de cooptação. Nesse cenário, a prática de corrupção era entregar as estatais para os partidos desviarem dinheiro). O que se pode fazer agora de diferente é compor (coalizão) sem corromper. Será possível fazer isso ou o Presidente adotará as práticas anteriores? Presidente, o senhor não poderá governar somente pelo twitter e jogando o povo contra o Congresso. A campanha eleitoral já terminou!! Não transforme adversários em inimigos….isso não é bom para a Democracia nem mesmo para a governabilidade. Sig, O Rato, está de olho na forma com o Bolsonaro irá lidar com algumas horas no divã. Buscar um psicanalista nesse momento é importante na medida em que dois ministros estão angariando muito apoio das ruas, em algumas situações públicas, ambos obtiveram muito mais aplausos que o próprio Presidente: Sérgio Moro e Paulo Guedes têm trabalhado muito pelo Brasil. Duas lideranças que estão ampliando o capital político, crescendo em popularidade justamente na base do governo! Sig, O Rato, sugere que se vá com muita calma nessa hora. Somente uma postura sólida de caráter, democrática e republicana, poderá auxiliar o Brasil a atravessar esse caminho tão complexo e grave para trilharmos cada passo com dignidade, respeito e senso democrático mínimos. Bom Dia e boa semana para se tentar dormir com um barulhos desses!!

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