ARTIGOS

Quem manda em Brasília?

por José Ernani Almeida

Arte: Aroeira

O episódio da ameaça, não confirmada, da demissão do ministro Mandetta pelo presidente, que alardeou o poder dizendo-se dono da caneta, deixou dúvidas ou quase uma certeza: Bolsonaro passou a ser uma figura decorativa.

Todos os indicativos revelam que os comandantes militares, tendo à frente o General Braga Neto, assumiram o comando do governo. Seria Braga Neto uma espécie de eminência parda do governo, como Golbery na ditadura militar? Lembre-se que Golbery montou e desmontou a ditadura.

Ao que parece será permitido a Bolsonaro dar suas caóticas entrevistas, cercado por um grupo selecionado para aplaudi-lo e para agredir a imprensa. Nelas ele fará o que sabe e o que mais gosta de fazer, isto é, inventar teorias conspiratórias, acusar comunistas, ofender pessoas e dar demonstrações públicas de sua paranoia.

Vejam a que ponto chegamos. Estamos diante de uma espécie de “golpe branco”, a se confirmar o que dizem os analistas. Convenhamos, aos olhos do mundo, o Brasil, mostra-se como uma nave desgovernada e aquele que haveria de ser o timoneiro está completamente perdido na névoa de sua demência.

Até aqui, recusa-se a entender que sua inépcia põe vidas em risco. Pior. Coloca-se contra todas as evidências da ciência, contra seu ministro da Saúde, contra a OMS, baseando-se nos palpites do lunático Olavo de Carvalho e dos filhos, todos de uma formação científica invejável. Ulala!!

Desde sua posse Bolsonaro é assessorado por um grupo ideológico que nunca escondeu seu sectarismo, medievalismo e ódio. Nada mais perigoso do que a ignorância sincera.

O país está cansado de sucessivas truculências e imprudências, atitudes alopradas e irresponsáveis, criminosas mesmo. Enfim, o presidente foi construindo seu próprio isolamento.

Estamos vivendo uma situação social semelhante àquela retratada por Machado de Assis no conto O Alienista, onde há um entra e sai do hospício administrado por um maluco.

Diante deste quadro, mais uma vez as forças que historicamente derrubam presidentes no Brasil, desde o século XX, parecem prontas e cada vez mais dispostas a aplicar os velhos métodos e dispositivos contra Bolsonaro.

É bem verdade que este abriu todos os flancos possíveis. Assim, seu afastamento não será nenhuma surpresa. Ou terá que se resignar a ser transformado numa espécie de Rainha da Inglaterra, que reina, mas não governa. A quem diga que o papel ideal seria o de bobo da corte!

JOSÉ ERNANI ALMEIDA é professor de história do Brasil e especialista em história pela UPF/RS

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