ARTIGOS

Brasil: o país onde as livrarias fecham

por Afrânio Silva Jardim

Não me agrada viver em um país que fecha as portas de suas livrarias.

Não me agrada viver em uma sociedade onde a tecnologia é dominada pelos grandes interesses econômicos e não se consideram os melhores valores de nossa combalida civilização.

Sem livros, a ignorância vai aumentar ainda mais. Estão fechando quase todas as nossa melhores livrarias.

Os recursos tecnológicos e a internet não substituirão os livros físicos, que já são pouco lidos no Brasil. É uma falácia dizer que vamos estudar em livros que aparecem em nossas “telinhas”. Isto não funciona com eficácia.

Sem livros, os seres humanos se tornam ainda mais perigosos.

Sem conhecimento, não há condições para se exercer uma liberdade concreta e verdadeira.

Sem cultura, deveremos voltar às “cavernas” e vamos nos matar.

Sem formação humanista e crítica, governos se sentem seduzidos por aventuras nazistas, por aventuras genocidas. Busca-se desconstituir a verdade histórica e desmerecer o conhecimento científico. “Prato cheio” para a ignorância e fundamentalismos religiosos.

O ser humano não mais é senhor de seu destino.

Acabaram com os meus CDs e DVDs.  Agora me sinto excluído de práticas que me davam prazer e satisfação. O “mercado” é autoritário e não se importa com a felicidade das pessoas.

Recuso e resisto. Nego-me a ser dirigido ou conduzido por interesses corporativos e seguir o fluxo das pessoas de forma acrítica. Paciência; reconheço que estou me tornando uma pessoa inadaptada a este mundo líquido, na feliz expressão do saudoso pensador Zygmunt Bauman

Recuso e resisto. Nego-me a ser dirigido ou conduzido pelas grandes corporações; nego-me a seguir modismos tecnológicos; nego-me a seguir este fluxo de pessoas acríticas que se deixam manipular pela mídia empresarial, a qual  visa reproduzir este modelo de sociedade injusta e cruel.

Por tudo isso, sinto-me inadaptado à chamada “sociedade moderna” e acho que ela era menos hostil quando a este mundo cheguei em meados do século passado. Temo pelas futuras gerações, que estão se viciando em “games eletrônicos” e não largam os seus celulares como se fossem máquinas. Que seres humanos estarão se formando neste nefasto contexto?

Na realidade, as grandes corporações e o chamado “mercado” é que atualmente nos dirigem, determinam tudo o que nos diz respeito.

Enfim, estamos perdendo o controle de nosso processo civilizatório.

Concluo: ou um novo modelo de sociedade, dirigida por um Estado verdadeiramente democrático, assume o controle do desenvolvimento tecnológico e regula esta “corrida desenfreada” ou vamos conviver, em futuro breve, com um ser humano desumano e voltaremos à barbárie. Socorro!

AFRÂNIO SILVA JARDIM é professor livre-docente de Direito Processual Penal na UERJ e procurador de justiça aposentado

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