ARTIGOS

Personificação do monstro do autoritarismo

por Ygor Ramon Arruda

Os monstros da deficiência intelectual estão sendo alimentados, tratados e consequentemente ganhando forma. Esse tipo de classe surge com ideias simples para soluções complexas e, em meio a um coletivo com pouco recursos de educação, fazem um recrutamento de simpatizantes para que assim possam propagar ideias inimagináveis.

A personificação desses monstros ganha ainda mais forma quando analisamos os aspectos em que os mesmos se encaixam, seus modos de discurso, seus jeitos e indagações acerca da política interna e internacional, fazendo alusões genéricas a fatos precisamente técnicos e por fim duvidando de instrumentos democráticos. 

Uma análise técnica parte do quadro de comportamento autoritário desenvolvido na obra “Como as democracias morrem” de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, neste são apontados elementos que descrevem atitudes de um líder autoritário, outrossim, o livro elucida exemplos de ditadores ou futuros ditadores e seu modo de ascensão, desta forma, partindo da analise do livro, faz-se mister apontar os elementos das quais Jair Messias Bolsonaro se enquadra afim de mostrar por obvio a sua personificação de líder autoritário  

Um líder autoritário rejeita as regras democrática do jogo, isso significa dizer que ele tenta a qualquer custo duvidar, acabar e tornar ilegítimo meios democráticos que fazem parte de toda estrutura do Estado, atacando-as diretamente ou fazendo com que se espalhe falsas noticias afim de criar um tumulto e mobilizar seus seguidores fanáticos a aderirem um comportamento mais agressivo. Jair ao dizer expressamente no ano de 2018 que as eleições teria sido fraudadas (ano em que foi eleito), ao condizer com manifestações afim de violar a constituição e participar de manifestações que nitidamente requerem a volta de um governo militar, com a derrubada da Suprema Corte e fechamento de instituições democráticas, encaixa-se perfeitamente no primeiro elemento de um líder autoritário, pois este despreza e rejeita as regras democráticas.

Outro aspecto de um líder autoritário é a negação da legitimidade dos oponentes políticos, significa dizer que o líder autoritário deslegitima seus adversários fazendo alusões descabidas, sugerindo que uma possível vitória de seu oponente colocaria o país a beira de um colapso, criando assim um tumulto, pois a ideia do sujeito autoritário é descredibilizar seus opositores com argumentos que no fim não constituem de fundamentação. Nesse sentido, Jair Bolsonaro ao fazer alusões de termos pejorativos com intuito de criminalizar um específico partido, desqualifica quase que instantaneamente aqueles eleitos por este, colocando-os sob uma mesma plataforma, ao por exemplo dizer que determinado partido se constitui uma Quadrilha. 

O líder autoritário condiz, tolera ou encoraja comportamentos violentos, talvez um dos mais expressivos comportamentos de Jair Bolsonaro tenha sido durante sua campanha com frequentes opiniões de cunho violento a determinadas classes, partidos e pessoas, outrossim, podemos citar o episodio em que o mesmo afirma “fuzilar” a “petralhada” da região do Acre, leia-se, “vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”. 

Por fim, o último elemento que qualifica um autoritário é a propensão a restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia, onde o mesmo utiliza sua popularidade para afirmar que determinados grupos não terão mais direitos, faz  constantemente elogios a medidas autoritárias feitas em países estrangeiros (ou no próprio), condiz com medidas de cunho nítido de minar direitos civis, e aqui falamos de um elemento muito frequente durante a trajetória de Bolsonaro, afinal temos a triste e memorável frase “em memoria do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra” quando votou pelo impeachment  da ex Presidenta Dilma Rousseff, ressaltando um líder totalmente autoritário nos anos de ditadura brasileira, também teceu elogios a Pinochet, exaltando o ditador chileno, dentre outras tantas afirmações. 

Estes elementos deveriam despertar a população em geral a ligar um sinal de alerta, pois estamos diante de um líder que se adequa perfeitamente aos elementos presentes no autoritarismo, entretanto, em 19 de Abril de 2020 o que se viu foi o mais verdadeiro absurdo, em resumo, foi feito uma espécie de manifestação, inicialmente se dizia no intuito de fazer um impeachment do governador, mas o que se observou foi inúmeros pedidos de retorno das mais barbáries atrocidades criadas, estou falando aqui do AI-5, desta forma façamos um momento de reflexão, qual país democrático pede a volta de um autoritarismo ? Em outras palavras, será que é sábio ter o direito constitucional e pedir-lhe a sua retirada fazendo uso do mesmo?

Embora seja impensável essa situação, a mesma aconteceu, e sim, foram muitas pessoas, a ponto de parar uma avenida, e pasmem, ocorreram inúmeros barulhos de buzinas em frente a um hospital (em meio a maior crise de saúde).

Com bandeiras, máscaras, camisetas e faixas as pessoas foram se aglomerando, se tocando e gritando, palavras não muito sábias, atitudes impensáveis, formas de expressão que alimentam o intelectual autoritário, e claro tornou-se grande possibilidade de espalhar aquilo que alguns meses atrás era até então controlável ou pelo menos adiado, e aqui falo daquele que habita no meio de nós, o tal do Covid-19.

E nesse absurdo o Presidente da República, diz a essa massa de pessoas (que aliás pedem o inimaginável) que elas estão corretas, a liderança do executivo, elegido por meios democráticos como dito anteriormente ressalta a uma multidão, pelo fechamento de instituições do judiciário e do legislativo, com instituições que alimentaram durante muito tempo sua formação como político.

É nesse contexto que quero deixar claro aqui a afirmação de que o monstro do autoritarismo já está formado, os fatos provam isso, desde suas atitudes durante a campanha e as presentes quando eleito, denotam nitidamente para um líder autoritário.

Para o prazer da história e daqueles futuros estudiosos, tudo isso fica registrado, nunca será apagado dos que viram e dos que lerão escritos desse memorável e triste dia.

Ao final a velha e repetida frase foi proferida, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, e aqui tenho que concordar, afinal o Brasil está acima de tudo em número de mortes, e Deus está com todos aqueles que vieram a falecer.

YGOR RAMON ARRUDA é advogado e pós-graduando em Ciências Criminais pela rede Descomplica

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