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O absurdo pacote de Paulo Guedes

por José Ernani Almeida

O pacotão de Paulo Guedes, enaltecido pelo “mercado” com total apoio da mídia – esta empenhada em convencer os cidadãos da necessidade de se sacrificar, abdicar de direitos, aplaudir o corte de gastos sociais e encarar a destruição da economia do país –, é o maior lançado na história.

Para o professor Rubens Sawaya, coordenador do programa de pós-graduação em Economia da PUC paulista, “é uma proposta de austericídio para sempre. Além disso, descontingencia gastos obrigatórios com saúde e educação. Não é um pacote, é uma bomba de destruição em massa”.

O economista Felipe Calabrez, professor da FGV, não deixa por menos. Para ele, “os jornais louvam o pacote de Guedes e ainda os juros baixos e o trabalho barato, supostamente a receita ideal para o empresário investir, mas há dois erros nesse raciocínio. Os juros não estão baratos, pois os spreads permanecem em níveis de agiotagem e o nosso capitalismo é mequetrefe, há pouca inovação ou incremento de produtividade. A estratégia, segundo o professor, é esfolar a carne humana até o limite. A contradição é que, ao fazê-lo, mata-se a demanda”.

Guedes propõem a taxação dos desempregados para financiar um programa de estímulo ao emprego. Uau!!! É, sem dúvida, uma medida que o colocará nos anais da ciência econômica mundial de todos os tempos.

A proposta, meu espantado leitor, é a seguinte: os brasileiros que recebem seguro-desemprego, que vai de R$ 998 a R$ 1.735, pagarão de R$ 75 a R$ 130 como contribuição previdenciária. Isto é, o sujeito perdeu o emprego, está duro, pede o benefício, que vai até 5 meses, e o governo vai mordê-lo em 7,5% daquilo que já é uma autêntica esmola. É, literalmente, tomar dinheiro de miserável!!

Tem mais. Os empregadores que aderirem ao programa do pagamento de sua cota previdenciária de 20% foram desonerados. Perceberam? Os de cima são afagados, os de baixo punidos. Isto me fez lembrar da Gotham City do filme Coringa.

O pacote de Guedes, ardoroso admirador do modelo econômico da ditadura Pinochet, também desobriga o poder público de construir escolas.

O objetivo é ampliar a rede privada. Retira do Orçamento a função de reduzir desigualdade regional. Resumindo: o ministro propõem que, nas áreas carentes, cada um pague pela sua educação.

Será a afirmação definitiva da meritocracia. É a equidade do modelo neoliberal com todas as suas letras.

Guedes pressupõe o encolhimento do sistema de proteção social criado para impedir a desgraça dos mais fracos, o sofrimento do homem comum atormentado pelas ameaças da precarização e do desamparo na saúde e na doença.

Em nome da ciência econômica o governo Bolsonaro parece não dar a mínima importância se as pessoas morrerem nos hospitais sem médicos nem remédios.

Vamos rir? Claro que será um risada impactante e peculiar como a do Coringa. E não de alegria, mas trauma psicótico do palhaço.
Quem pode rir hoje no Brasil?

JOSÉ ERNANI ALMEIDA é professor de história do Brasil e especialista em história pela UPF/RS

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